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A seguir, cenas...

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Ela sempre acreditou que seu futuro-amor-definitivo está lá no passado. Que ele passou pela sua vida, e por um motivo qualquer, não ficou. Mas que, logo mais, ele volta - e pra ficar. Natália pensou que esse sempre foi "O Plano": uma brincadeira que o universo reservou pra ela, sabe-se lá porquê. "Não é possível que o grande amor da minha vida seja um completo desconhecido. Alguém que não saiba nada sobre mim, minhas vitórias, batalhas, medos, qualidades/defeitos. Imagina o trabalho que dá atualizar esse cara sobre tudo isso?", conjecturou. A verdade é que Natália sempre que se imagino envelhecendo ao lado de alguém muito, muito familiar! E a cena lhe traz um conforto absurdo. Uma certeza de que todos os desencontros - e foram muitos - valeram a pena. "Era pra ser assim". Um plot twist perfeito, pra fazer a novela da sua vida mais interessante. Se bem que reviravolta mesmo seria ela "morder a língua" e encontrar o amor em uma pessoa inéd...

Ao pé do ouvido

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Quando viu, já era. Virou paixão. Mas nunca foi esse o combinado. A brincadeira era colocar cor àquela antiga amizade. Adicionar beijos e amassos aos encontros que, diga-se de passagem, sempre foram bons. A ideia era apimentar as coisas entre eles, sem expectativas, sem ilusões. Apenas curtição. Um jeito novo de se curtir. Nada poderia dar errado. Eram muito, muito amigos. Confidentes. Parceiros. E, sem aviso prévio, no impulso vindo de doses a mais de álcool, resolveram ir um tiquinho além. Flertaram. Trocaram provocações e bobagens ao pé do ouvido. E, depois, beijos e carícias. Uma, duas, três vezes. Um pouco mais. Até que ela percebeu o crescente da paixão. O querer mais, o querer só pra ela. Sinais de ciúmes, angústia da saudade. Uma leve febre quando estavam juntos. Um desapontamento ao se despedirem. E, então, fugiu. A partir dali, tinha tudo pra dar errado. Pra que ficar pra ver?

Depois do match

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Virgínia chegou no bar e ele já estava na mesa ("milagre, eles sempre se atrasam", pensou, sorrisinho de lado). Levantou-se rápido ("oba, ele é bem alto!"), cumprimentou com um beijo respeitoso, puxou a cadeira pra ela. "Aquele encontro prometia", comemorou em pensamento. "Sabia que, um dia, esse aplicativo ia servir pra alguma coisa". Cavalheiro, ele chamou o garçom, pediu a cerveja, uma água pra acompanhar, e sugeriu o petisco. Tirando os jargões típicos de um advogado e palavrões demais pro seu gosto, o papo fluiu bem. E a cada cerveja - que ele bebia bem rápido - a conversa foi se tornando... reveladora. - Detesto carnaval. Esses bloquinhos espalhados por aí sujando a cidade, incomodando gente de bem... odeio. Um bando de desocupados, isso sim. E um monte de gays, esse povinho. - Alguma coisa contra os gays, Caio? - Não, não, nada... desde que eles não fiquem muito perto de mim. Daí em diante, foi ladeira abaixo. - Fiquei casado 1...

Retratos

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Não faz tanto tempo assim: tirar foto era uma decisão difícil. Você tinha que ter certeza de que aquele momento, aquela paisagem, a situação toda merecia um pedacinho do seu caro filme. Trinta e seis, vinte e quatro, doze... ah, os filmes de doze poses, então! Que medo de gastar o clique em algo idiota. Era uma decisão e tanto. Não só pelo dinheiro, mas pela escolha. Fotografou aqui, faltou filme pra fotografar mais adiante. Valia a pena? Medo. E a ansiedade em ver o resultado? Aquela espera gostosa (às vezes angustiante)... Pagava-se até mais pela revelação express, um luxo. E se suas fotos tinham conteúdo mais, digamos, íntimo, era melhor evitar as lojas do shopping. Elas revelavam suas fotos sob o olhar curioso do público. Era uma atração! Vira e mexe apareciam uns nudes. Quase nunca se viam selfies. Também, né, quem gastaria filme com fotos de si mesmo? Quer se ver, vai até o espelho, pô. Mas então... então vieram as câmeras digitais. E depois os celulares com câmeras. Um...

Dois e dois

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Acabou. Não existe mais. Quem aproveitou, aproveitou. A nova geração nunca vai saber como é dançar música lenta. Uma morte triste, a se lamentar profundamente. Dançar coladinho é um comportamento extinto. Não consigo precisar quando e como aconteceu. Mas o fato é que não existe mais o ritual da música lenta. Um ritual que, ao primeiro acorde de um Lionel Richie da vida, fazia as garotas experimentarem um frio na espinha, e os rapazes tomarem a iniciativa da conquista. De um lado, ficavam as meninas, cheias de expectativas. De outro, estavam os garotos, a caminho de seus alvos. Uns esticavam a mão, gentis. Outros, mais autoconfiantes, apenas acenavam com a cabeça. Sorrisos tímidos, olhares sem graça, passos desengonçados. E dava início o jogo. Uma versão ultrarromântica do caçador-atrás-da-sua caça. Mas que fique claro: um abate consentido, desejado, com uma trilha sonora inspiradíssima. Ao som de hits do Earth, Wind & Fire, o homem desenvolvia a determinação. Passava por cim...

Amizade com steinhager

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- E se a gente se beijasse? - disse o amigo manguaçado para a amiga também amaciada pela cerveja com steinhager. - Beijar? Beijar como?  - Ué, beijar. Na boca. - E amigos beijam na boca, ô Túlio? - riu, encostando a cabeça no peito dele. Túlio segurou o queixo da moça, forçando um contato visual: - Amigos podem fazer qualquer coisa. Um selinho. Só pra ver como é. Para de ser chata... - Bom... selinho tudo bem.  Rebeca fechou os olhos e sentiu a boca de Túlio. Era bom. Era muito bom, hein? E ficaram ali um tempão, um selinho eterno... Por fim, abriram os olhos em efeito slow motion, cara de bobos. Era ótimo. - Beca, posso... - ele ia dizendo. Mas quem disse que a boca-louca de Rebeca deixou? O que seguiu foi um senhor beijo, esfomeado, daqueles que só uma boa parede de alvenaria era capaz de suportar. Era um beijo com sincronia e verdade. Paixão e ritmo. E não tinha fim.  Mas acabou quando algum engraçadinho na rua buzinou e mandou os dois procurarem o motel...

Disk-ilusão

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- Que sorrisinho é esse? - Mensagem do cara! - E? Ela mostra o celular, toda orgulhosa. O WhatsApp não deixa dúvidas. O cara requer a presença de Aline. Naquele momento. "Tô te esperando, num demora. C".  Mais que depressa, Aline sacou uma nota de R$ 50 da bolsa, estendendo-a sob a garrafa de cerveja. - Ei, espera aí. Toma mais uma. A gente acabou de chegar.  - Nem dá, Gil... O cara tá me esperando. - Eu li, mas é, tipo assim, delivery? Ligou, recebeu em casa? - Ai, amiga, não é isso. Eu tô super na pegada. Nosso lance é assim, sem compromisso. Garçom? GARÇOM! Suspende minha empanada. Tô vazando! - Então o lance tá resolvido na sua cabeça, que bom! Mas e se ele quisesse namorar? Já de pé, ela responde de bate-pronto: - Eu namoraria no ato, gata, é claro. - E, me diz: esse delivery rola faz quanto tempo? - Delivery? Ah, sua chata! - Quanto tempo, hein? - Ah, acho que uns 4 anos... por aí. É muita química, é pegação... é tão bom, Gil. Tô indoooo... - Tá, ...